viernes, julio 29, 2011

Uma consulta do HC


"Ainda não terminamos", diz o médico do Hospital das Clínicas. O exame de sangue, sem anomalias. O raio X do abdomen, o raio X do pulmão. Outra sala e o exame para ver a oxigenação, a cianose periférica. Afinal, por que o inchaço, a fadiga, o mal estar? Ah, o coração, o marcapasso. Vai que... Eletrocardiograma. Tá lindo. Ecodopplercardiograma transtoráxico. Não tão lindo, mas vai lá, deixa de lado a presença de derrame pericárdico discreto sem repercussão hemodinâmica, o Incor cuida disso. Um ultrassom aqui e lá. Sem trombose. Sala de medicação, jejum de 4 horas e uma tomografia do pulmão. Sem edemas, coágulos. Mas o homem que fumou a vida toda, agora vê as sequelas. Voltamos pra oxigenação, pro sangue, pro coração, pra perna, pros ecos, eletros, remédio porque já passou da hora. Tem tempo e milhares de pessoas pra conversar e distrair. Fome, fome, fome. Peço a dieta e como a metade que sobra, do almoço, do lanche, da janta, da ceia.
"Já estamos quase terminando", diz o médico do Hospital das Clínicas. Quase com o diagnóstico, quase com as respostas, quase com a nova receita, quase pra dar a alta, quase pra ir pra casa, quase pra nunca mais esquecer o nome do Sr. Eduardo. Falta a sala de medicação.
"Conseguimos fazer a junta médica", diz o médico do Hospital das Clínicas. Era um fungo. E eu que adoro os funguinhos cozidos, refogados, na salada. Já estamos quase lá. Falta entregar a cadeira de rodas de um prédio ao outro. Já estamos indo. Falta encontrar o taxi. Já estamos acabando. Falta o caminho pra casa. Já estamos chegando. Falta o leitinho, o banho de bálsamo, vestir e colocar na cama, porque o corpo já não se move por si. Falta o meu banho, o meu leitinho, arrumar minha cama, agradecer e sonhar.

jueves, julio 21, 2011

picanha do bar santo antônio


Eu combinei com o Wu que deixaríamos de comer muita carne. Afinal, eu comecei a maneirar na comida, eu tava comendo como louca, ansiedade, cansaço, desregulada. Por isso decidir mudar alguns hábitos, recomeçar outros, e me sinto feliz por por recomeçar a vida.
Mas veja, uma das coisas que gostamos de fazer é comer fora. Vamos conhecendo um lugar ali, outro aqui. E diante de uma picanha, suave, com seu molho própria, como fazer??? Comer um pexinho no lugar??
Dizer a "saideira" é uma ótima solução e incentivo, a realmente já faz 1 mês que não como a tal picanha. De vez não consigo, essa semana fiz minestrone para meus pais e aí vai carne em cubinhos pequenos... comi, né.
Acho que deixar de comer de vez, não, mas aos poucos vou substituindo uma e outra coisa. De toda maneira, não deixarei os prazeres da CARNE!!!!

START NOW

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- tocar violão: meus rocks antigos, as mpb’s clichês, alternativos latino-americanos

- tocar piano: as musiquillas que minha mãe gosta, as dramáticas que ninguém mais aguenta, as novas que todos reconhecem e que dá a falsa impressão que toco bem;

- saúde: andar, cuidar da pele ( entende, né ), correr, dançar tango, pular no colchão com meus sobrinhos, brócolis, salmão e cupcakes.

- família na minha vida: dizer pro meu velho todos os dias que eu o amo e que eu agradeço por cada lição ( as duras e as suaves ) que ele tem passado, agradecer todos os esforços da minha mamis e por todas as marmitas bem feitas ( amor no meio do turbilhão ), ser melhor irmã, melhor tia.

-respeitar mais os irmãos mais velhos, pedir mais respeito do irmão mais novo.

-dizer o que penso, sem magoar pessoas. Ouvir o que os outros dizem, sem me magoar.

-ficar linda ( como sempre ). Colarzinho, um bom decote. Como convencer meu namorado que de vez em quando é bom me dar colar, pulseira, uma prenda bonita que talvez ele goste que eu use? Aceito sugestões. Comprar um vestido decente e usar mais renda.

-passear, conhecer a cidade como turista, como faz minha irmã. Há lugares pros quais nunca fui. Sempre tive vontade, mas e aí? Adianta ver só Picasso no livro, tem que ir lá ver de pertinho

-sonhar com minha futura linda família, com meus filhos e meu cotidiano de delícias e coisas para resolver com meu tchuco.

-cinema, cinema, cinema. Não quer ir comigo? Não tem problema, vou só. Cantar, cantar, cantar. Oh it's a good day, for singing this song and it's a good day, for moving along. Yes it's a good day, how could anything go wrong?

-praia, praia, campo, campo, neve, neve, oceano, oceano, aurora boreal

-chorar à vontade vendo filmes de amor

- continuar meu projeto: cuidar da minha maritaca Picolé: passeando com ela, comprando a melhor comidinha, a melhor gaiola, a melhor assistência, ensinado palavrinhas engraçadas, dando beijim que ela adora e ensinar uma canção

-fazer tudo isso ( e mais ) enquanto eu trabalho.

-Deo Gratias


jueves, septiembre 09, 2010

independência e vida!

Voltei ao parque da Independência, nessa semana pátria.
tinha esquecido como era pisar no chão de terra, escutar passarinho ( não sei nem o nome deles, só sei que pia, canta ). meu condicionamento físíco tá péssimo e as senhorinhas dão um show quando passam correndo, escutando mp3, conversando com a outra colega que tá super equipada com sua roupa e tênis esportivos.
Entrando na trilha, um grupo de turistas orientais, tirando fotogrando tudo, sorrindo, alegres. Vejo a área das barras de alongamento e exercícios, um grupo de homens. na segunda volta, uma brincadeira ali, falam alto. na terceira volta : "ah, ela chegou na terceira volta, isso aí, tem que ser no minimo 40 minutos e...sfd...asdf..." já não escutei a prosa. bom, antes de chegar na quarta, fui até o jardim genérico de Versailles. a fonte ligada. caminhei em volta, pra me inspirar. pouco movimento, era cedinho. somente um rapaz, com seu tripé e sua máquina.!
Estava frio, primeiro dias depois da seca em Sao Paulo. eu com calor e o vento mais forte. desci mais um pouco e parei perto da fonte para contemplar a beleza dos Monumentos, o da Independência e o Museu Paulista. quando percebi, milhares de gotículas respingaram no meu cabelo, bermunda, tênis, óculos. Pensei em sair rápido dali mas meus pés, já cansados, foram deixando o lugar com tranquilidade, sentindo frescor. logo veio uma mulher talvez para experenciar o mesmo ou ver o mosaico molhado e eu limpando o óculos, um casal que tinha um sotaque bonito do Perú, acredito, olhava a cena, enquanto subiam degraus. fui me afastando e voltando à casa, feliz por ter começado a repensar meu cotidiano, e sentir-me livre pra sentir esses detalhes da vida. Meu mais novo projeto de indendência!

lunes, febrero 22, 2010

Educação e Eu


Meus irmãos sempre me mostravam como desenhar, as proporções, dimensões, aqui começa a linha, então você copia assim, e usa aquele lápis....

E chegava a minha vez, era 4ª série. Atividade: uma cópia de uma pintura.
Nessas épocas meu pai comprava a coleção “Conhecer”. Pedi pra alguém me ajudar: preciso copiar uma pintura de um artista.
Fui até o “Conhecer” e no índice encontrei: Artes. Tentei ver algum desenho interessante, sem critérios.


Mulher Chorando. Onde estão as lágrimas? Vou achar. Talvez sejam essas linhas coloridas... mas se ela ta chorando, por que tanto colorido? Sei lá. É esse mesmo.
Comecei copiar e me lembrar das lições dos meus irmãos. E não tinha tantas cores na minha paleta mas tentei aproximar o máximo.
Era tão linda a Mulher Chorando e queria ajudá-la. Por que chorava?. Não entendo. Ela é tão colorida, tão bonita, seus cabelos, seus olhos com cílios grandes. Ficou minha amiga e levava o desenho pra todos os lados. Eu mostrava para meus amigos, minha família. Ninguém ligava muito, mas eu tinha prazer em apresentá-la.
Picasso? Somente escrevi o nome da pintura e do artista na frente do desenho. Isso pra professora saber que eu tinha feito a lição corretamente.


Eduardo, Ricardo, Marcelo foram muito importante para meu processo de aprendizado. Mostravam, ensinando e guiando. Meus pais tinham essa ajuda grandiosa deles na nossa educação. Meus irmãos sempre foram sensíveis, embora tanta brutalidade que vivemos. Floresceram Letras, Música, Pinceladas, habilidades mil. Ensinar era prazeroso. Ensinei pouco meus irmãos. Agora já adulta posso aconselhar, não deixa de ser ensinamento.

***
O segundo momento em que reconheci o poder transformador da Educação na minha vida, foi também na 5 ou 6 serie, numa aula de historia. A professora Inajá falava de Iluminismo. Sua fala era suave, olhos grandes, lábios finos, cabelos escuros, atrás da orelha, longos. Sempre sentada atrás da mesa. E sempre achava que ela tivesse estado em todos os lugares de que falava, que ela tivesse presenciado aqueles fatos malucos. Será que ela conheceu toda essa gente da história que contava? Não sei. Mas logo percebi que era a aula esperada, ansiada, esperada não sei se por outras pessoas, mas por mim sobretudo.
Anos mais tarde, numa exposição BRASIL 500 ANOS, a encontrei na fila, num domingo absolutamente lotado no Parque Ibirapuera.


- Professora?
- ah..sim? ( ela claro não se lembrava de mim)
- fui sua aluna no CEPAO!!!! Eu amava suas aulas, foram as melhores da minha vida! Soltou risos tímidos, agradecidos.
- entre por aqui ( retirei-a da fila )
- A senhora será minha convidada. Trabalho como educadora aqui.
- que alegria, agora você vai me contar alguma estória!



martes, febrero 02, 2010

Perda e Muito Dano

pequena obra de ficção doméstica

- Filho, não esqueça seu celular em hipótese alguma!!! Leve-o consigo sempre!!! Pra que te comprei um celular? É para ser usado.

No dia seguinte, pai, mãe e filho vão até à praia. Muitos graus e o mar esperando. O filhinho corre em direção às águas. Vestia sua bermudinha com bolsos laterais. E o celular? Devia levá-lo. O filho acata o pai de maneira incontestável. Não desobedaça as ordens!
Minutos depois... bolsos vazios.

Catatônico, se prende a um poste, o primeiro que encontrou. Dali não saía. Ficou 1 hora agarrado ao poste. Olhos molhados. Mãe, o pai vai brigar comigo. Não vou sair daqui. Eu perdi o celular.

. . .

- Então, sabe o celular que você deu pra ele? Perdeu no mar. Mas ele ficou agarrado 1 hora no poste, de medo...
- Bom, ele já se deu uma própria penitência. Muito bem. Compro outro celular. 

Glossário:

Incontestável
adj (in+contestável)
1 Que não se pode contestar.
2 Indubitável; indiscutível.
3 Irrefutável.

Medo
(ê) sm (lat metu)
1 Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror.
2 Apreensão.
3 Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. sm pl Gestos ou visagens que causam susto.


Penitência
(latim paenitentia, -ae)
s. f.
1. Qualquer ato de mortificação interior ou exterior.
2. Arrependimento de qualquer ação!ação má.
3. Relig. Pena imposta pelo confessor ao penitente para remissão ou expiação dos seus pecados.
4. Relig. Sacramento da Igreja que redime os pecados a quem os confessa.
5. Hist. relig. Castigo público imposto pelo tribunal da Inquisição.
6. Sofrimento, tormento.
o tribunal da penitência: o confessionário.

sábado, octubre 24, 2009

google.earth e minhas viagens



Há pouco tempo baixei a nova versão do Google Earth. Aí, fotos mostrando perspectivas mil das ruas pelo mundo. Me ajuda no momento de fazer um roteiro de viagem, ou matar curiosidade de alguns lugares que não sei se irei visitar um dia, por exemplo, a Antártida. Neve, neve, dunas de neves, o desenho do vento na neve, os pedações de gelo derretendo, algum indício de homens, com certeza fazendo pesquisas, rastros, montanhas de gelo, etc.


Quando nos aproximamos das fotografias, as imagens ficam dentro de umas bolhas flutuantes e podemos sobrevooar as cidades. Engraçado pela primeira vez, mas vai ficando divertido.


Fiquei tão saciada de Paris e cidade do México outro dia que pensei já ter viajdo pra lá. espero que isso seja um grande incentivo...



jueves, septiembre 24, 2009

linhas

Quiromancia, leitura das mãos, leitura das linhas.
Farei uma série de considerações sobre essa antiga prática.

miércoles, septiembre 23, 2009

entre flores de duraznos





Árida região mas com o frescor que se sente nas montanhas incas. E se sobe até onde as pernas deixam. A boca só abandona a secura depois de comer um pêssego molhado, uma lima-limão do pé, um figo sedoso. É longo o caminho pra encontrá-las, quietas, olvidadas. Deslizar entre os galhos, a pele já rubra do Sol, o chão incerto que resmunga a cada passo, água fazendo velhos caminhos. Que doces regalos da natureza.

sábado, septiembre 05, 2009

Galeria el cuartito

Galeria el cuartito
então vai aí a dica pra quem vai à Argentina!

sábado, agosto 08, 2009

educador, onde está?

Tirando passaporte. Vais procurar tua profissão: Educador.
Encontras: astronauta, guilhotinador, garota de programa, insufilmador de veículos, lapidario, leiteiro, patinador, limpador de parabrisa, salgadeiro, margarefe, tanoeiro, presidente da república, aplicador de subestação, etc, etctarador.... Mas não EDUCADOR.
Val, essa é pra você. Nossa ocupação é: OUTROS

lunes, agosto 03, 2009

one giant leap


O homem fumou a vida inteira. Diz que começou quando jovem fumando charuto. Não era por causa do Fidel. Também bebeu por muitos anos, com vigor e diariamente. Por não aguentar mais as reclamações do cheiro de fumaça, ele, de um dia pro outro, deixou o cigarro.

Os médicos do HC não veem problemas com o pulmão. Ele não se diz doente, depois de ter se curado do câncer, e mesmo com o fêmur recolocado depois da cirurgia. O médico diz: o osso parece de um jovem.

Será o tereré? Será o sangue índigena? Será o seu alto grau de otimismo? Não sei, só sei que hoje ele caminhou, seu primeiro passo em pé, e vê-lo asssim - mesmo de andador - me deu muita alegria, como: trabalho cumprido.

miércoles, julio 08, 2009

Greve USP

Na USP, Faculdade de Letras
Barricadas feitas de mesas e cadeiras em frente às portas. Lá fora, alunos discutem sobre sua própria greve e a dos funcionários.
Aluna, encaminhando-se pra saída
- Quero passar
Aluno, zelando pela saída ou entrada
- Você não vai passar
Aluna, com espanto
- Sim, vou sair, tenho direito!
Aluno
- Você não vai sair. Foi deliberado que... (inaudível, a porta se fechava com violência)
Aluna, afasta-se, pede ajuda para um segurança. Ele diz não ter nada com isso. Aluna volta à porta, parece enfurecida
- Eu vou passar.
Aluno segura a maçaneta com as duas mãos. Outros alunos lá fora, observam.
Aluna, prepara-se para sair. Com avidez abre a porta, machuca a mão do aluno, passa pela barricada.
Aluno
- Você é grossa, hein
Aluna, enquanto caminha em direção à outra saída, da Ciências Sociais
- Você não pode me impedir de passar, vou onde quero, isso não é uma democracia?
Aluno
- Você tem que ir lá ver a reunião, a assembléia, isso é democracia.
Aluna, na saída das Ciências Sociais, encontra outras alunas que perguntam:
- Você conseguiu entrar no prédio? Hoje tentei entrar e me impediram, colocaram um aluno para perguntar o que íamos fazer dentro de nossa faculdade.
Aluna
- Eu tinha conseguido entrar, só não conseguia sair.
Alunas diversas
- Quanto você pagou para sair?
Aluna
- O que? Não paguei nada!!
Alunas diversas
- Ah... tivemos que pagar aos alunos 6 reais para poder sair do prédio das Letras.
Aluna
- ... só tive que quase quebrar uma porta para sair.

domingo, noviembre 02, 2008

de volta à casa.

Fiz as pazes com meu blog.
Fiquei a pensar se eu estava muito tempo sem fazer nada e logo, quando consigo um trabalho fixo, meu tempo todo é dedicado a ele.
No início é assim, quem sabe. A entrega, a concentração. Chego em casa e ainda reflito sobre o dia trabalhado, idéias, postura, sensações.
Passaram uns bons 6 meses desde que me fixei num só lugar, trabalhando com continuidade. Diferente. A efemeridade das exposições continua, uma diferente da outra, de modo que sempre há coisas novas para estudar e conhecer. Isso tem me movido e deixado com alegria.
Educador que trabalha em vários museus, sem salário garantido todo mês, sem direito de pegar uma gripe forte e faltar no trabalho, sem as devidas valorizações... Ainda assim, não me via em outra situação, o prazer dessa vida "instável" e a segurança de não conviver com posturas equivocadas por muito tempo... muitas coisas me prendiam ao trabalho temporário. E compartilho disso com muitos colegas.
Mas reconhecer-se a si mesmo é muito caminho andado para um reconhecimento maior. A angústia de não se ter um trabalho fixo para educador de exposições temporária, é totalmente compreesível e também é magnífica a oportunidade de ter contato com tantos acervos, obras, artistas, curadores, regras, posturas, metodologias.
Um dos artistas da exposição em que trabalho atualmente, disse ser magnífico ter um educador que possa atender pessoas no espaço expositivo. Mais lindo seria se essas condições de "estar no espaço" fossem justas e ainda, fossem fruto de um pensar generoso.
Volto ao meu bloguizinho, ainda com meus desabafos e alegrias. O Ipiranga não continua o mesmo definitivamente. O metrô tem sido gratificante, e futuramente talvez um problema... Há muitas famílias que terão que se mudar, ou pelos aluguéis que aumentam, ou pelas famílias que vendem suas casas, ou pela perda da tranquilidade do bairro.
Novas coisas para contar.
ºº

miércoles, enero 23, 2008

Leones de Bronce




Mirando una foto ya descolorida, me acordé de mi infancia en el barrio de Ipiranga. No sabía bien caminar por el barrio, pero me gustaban sus calles brillantes, la gente que se hablaba en las veredas, las vecinas chismosas. Solía jugar la rayuela con mis amigas y me encantaban las muñecas, en especial, las que mi mamá hacía. La primera vez que gané una hecha artesanalmente, me dio tanto miedo de su apariencia de muñeca Frankestein y sentí creo que vergüenza de mostrársela a mis amigas... luego, sentí vergüenza de pensar en tal cosa, puesto que la niñita de paño era exclusiva y hecha con amor. Al final, me gustaban más los autos de plásticos de mis hermanos mayores. El esconde-esconde solo pasó a ser interesante después que besé por primera vez, así tenía muchas razones para encontrar nuevos escondites.

Yo era delgadita y siempre tuve cabellos rizados, la piel alba. Era una niña muy curiosa, adoraba escuchar las historias de mis hermanos. Me daba gusto mirarlos jugar al fútbol mientras llovían tibias gotas. Me ponía los codos en la ventana, las manos apoyándome el rostro y llevaba un alma triste porque mis ganas eran de meterme allí, con ellos, buscando desesperadamente la pelota para hacer un gol. Claro mi mamá no me dejaba, primero, porque era juego para niños, después, porque llovía. Fue la última vez que los vi jugar todos juntos.

Una vez, mi papá nos había llevado al museo histórico del barrio... me hizo sentar en un león de bronce, hermoso, para sacarme una foto. Me puse tan ansiosa por montar el intrépido animal, era tan imponente e hierático, sus garras tan bien hechas, sus melenas inmóviles. Cuando subí, miré al león, él a mí... a cada sentímetro menos de distancia, me acercaba, en lento movimiento, disfrutando aquella sensación... él impasible en su condición de escultura. De repente, escuché algo. No sé bien precisar qué era, pero parecía un gruñir, un no-se-qué. Me puse tan estática como mi amigo leonino. Otra vez. El sonido era más fuerte, me acerqué junto a su melena con mis oídos y puse a escucharlo. Él rugía, ¿cómo? Lo respeté, porque quizá le hacía daño que tanta gente se sentara arriba suyo, le pedí perdón, que solo me voy a sacar una foto, por favor. Desde lejos encontré a mi papi dando la señal que ya me podría bajar.

Los leones siguen ahí, no del color bronce, sino verde de la lluvia ácida. Quizá lloran ahora. Las calles no tienen tanto brillo y las antiguas casas del siglo XIX fueron sustituídas por bancos y un gigante McDonald´s. Mantego la misma admiración por mis hermanos, aunque no me cuenten más historias fantásticas; aún sigo jugando con autos de plásticos, ahora de mis sobrinos. La foto no tiene tanto color y está desgastada, ya no estoy tan flaquita pero mi mamá aun mantiene la misma sonrisa cautiva.

lunes, diciembre 17, 2007

Turismo na Favela



Recentemente levei turistas argentinas para ver uma favela. Sim, uma favela. Pediram-me com entusiasmo. As opiniões se dividiram quando estávamos por chegar. Alguns sussurros de receio. A van estava bem agitada depois de algumas voltas, e logo voltou o entusiasmo, como sempre dentro de uma van cheia de turistas. Ao entrar na Estrada das Lágrimas, sentido São Caetano, de repente, um silêncio espantoso se implantou. Todos os rostos virados à calçada onde as construções desorganizadas se levantavam até 4 pisos. Dia de muito sol, e muita gente na rua. A van passava com pouca velocidade, como em câmera lenta. Os olhos viravam, nem pisacavam. Comecei a contar a história de como se deram essas construções, em que época, diferenças entre algumas favelas até mesmo do Rio de Janeiro.

Alguns piscares de olhos e logo:

Agitação, perguntas, curiosidades. Moram todas as famílias numa mesma casa? pagam luz e água? deve pedir licença para entrar? do que são feitas as casas? etc.
Respondi com muita propriedade...

Demos a volta e passamos na mesma calçada do Heliópolis, tiraram muitas fotos. Algumas se levantavam para ver as pequenas ruas estreitas que penetravam pela favela. Até mesmo as músicas altas saindo de carros equipados com vidros escuros, desenhos curiosos nas portas e traseira, atraíam as turistas da classe alta argentina. Como o dia ensolarado anunciava uma grande tempestada, mais e mais pessoas corriam de um lado a outro a fim de buscar seus guarda-chuvas ou tentar chegar sequinho em casa. Algumas crianças puxavam suas pipas que se enroscavam nas rabiolas de outras, as senhoras com seus carrinhos provavelmente chegando de alguma feira e tantas outras cenas do dia-a-dia de qualquer lugar.

Uma boa máquina fotográfica faria fotos maravilhosas...


jueves, octubre 25, 2007

Vida de Educador

Personagens:

educadora, trabalha em museus.
irmão da educadora, trabalha como economista em algum lugar.
visitante do museu, sempre vai a exposições como lazer


Os irmãos estão dentro do carro, de manhã.


irmão:
- Fica difícil para eu levar o pai no médico, você sabe né, por causa do trabalho...

educadora:
- Para mim também é difícil, mas temos que revezar...

irmão:
- Mas já sabe, o meu trabalho é um TRABALHO, né...

educadora:
- E o meu TAMBÉM é um TRABALHO...


A educadora, dentro do museu, à noite, após realizar uma visita educativa muito produtiva


visitante:
- Menina, estou muito grato pela tua visita, adorei!

educadora:
- Muito obrigada digo eu.


visitante aperta a mão da educadora


visitante:
- Agora, me diz... Em que você trabalha?

educadora:
- ESSE é o meu trabalho, senhor...

martes, octubre 09, 2007

cabelos curtos


Outro dia eu tava falando com um amigo que me dizia que definitavamente eu deveria deixar meu cabelo crescer. Confesso que até tentei. Mas depois de sentir essa experiência: o vento no pescoço, o desuso de pentes e escovas, a leveza em minha cabeça... Na verdade, embora curtinho, o cabelo pode passar por muita mudança, não é tedioso e cada dia invento algo para ele.
Depois meu amigo veio dizer algo sobre feminilidade... oras, posso ser feminina mesmo com o cabelo curto, além do mais, deixei uns tufinhos para serem agarrados, entende.
Alguns me disseram que meu rosto se vê, está menos escondido.
Cortei o cabelo talvez no afã de PROVOCAR uma mudança, que mesmo que seja física, deu-me muito alívio interior. Sabe, como começar de novo, investir em coisas novas. De toda forma, ele crescerá, com vigor, forte e pronto para novas mudanças.

jueves, agosto 09, 2007

lustração, carinho, jaguaí

Madeira lembra: lustração
Lustração lembra: pedra pome
Pedra pome lembra: trabalho
***
Flor lembra: professora da escola
Professora da escola lembra: carinho
Carinho lembra: alegria do momento
Alegria do momento lembra: solidariedade do companheiro
***
Estrela lembra: astro
Astro lembra: personaje
Personaje lembra: Tibúrcio Duarte
Tibúrcio Duarte lembra: mestre em pedras

E assim por diante.

Pacuí
Tiradentes
Arroio Grande,
Estrada das Lágrimas...


E assim por diante.

Gato
Jacaré
Jaguaí
Mono...


E assim por diante

Alzheimer pode ser perigosa para quem cuida daquele que padece da enfermidade. Como fazer para não enlouquecer? É muito triste perguntar alguma coisa ao Don Pio e ele realmente não saber responder. Homem de vigor, de vitalidade jamais vista por mim na vida.

Mas descobri um meio de fazer com que ele pudesse se lembrar de coisas, ou ativar suas memórias, que nada são de elementares. Outro dia lhe fiz um desafio: dizia eu as letras do alfabeto e ele me dizia que palavras começavam com cada uma delas. Consituição, bandeira, etc, foram ditas. De uma ou outra maneira, sua vida política sempre vem à tona.
Outro exercício bom é que ele escreva algo. O que fez no dia, ou uma poesia, ou um texto. O primeiro texto falava sobre mudanças no meio de comunicação. De certo ele me ouve falar da internet, que hoje falei com algum amigo na rede. Textos legais. Ok, ele leva o dia inteiro para realizar algo que outrora fazia em segundos.

São importantes exercícios, alguns aprendi no Hospital das Clinicas escutando algum doutor realiza-los. Meu pai gosta dos exercícios. Sempre lhe instigo a algo. Quando está assim, a olhar o Nada, dou-lhe álbuns de fotos para lembrar alguma coisa. Outro dia viu sua própria imagem e não se reconheceu. Estranho. Mas compreensível. Muitas das células neurais morreram e consigo levaram memórias. Por isso fazer exercícios é muito bom, porque suas células, as vivas, acham outros caminhos, outro meios de conexões. Reavivam algumas memórias bem escondidas em seu cérebro. Às vezes eu mesma queria perder certas memórias. Mas a natureza que se encarregue disso. Caso não, posso viver com elas.