lunes, febrero 22, 2010
Educação e Eu
Meus irmãos sempre me mostravam como desenhar, as proporções, dimensões, aqui começa a linha, então você copia assim, e usa aquele lápis....
E chegava a minha vez, era 4ª série. Atividade: uma cópia de uma pintura.
Nessas épocas meu pai comprava a coleção “Conhecer”. Pedi pra alguém me ajudar: preciso copiar uma pintura de um artista.
Fui até o “Conhecer” e no índice encontrei: Artes. Tentei ver algum desenho interessante, sem critérios.
Mulher Chorando. Onde estão as lágrimas? Vou achar. Talvez sejam essas linhas coloridas... mas se ela ta chorando, por que tanto colorido? Sei lá. É esse mesmo.
Comecei copiar e me lembrar das lições dos meus irmãos. E não tinha tantas cores na minha paleta mas tentei aproximar o máximo.
Era tão linda a Mulher Chorando e queria ajudá-la. Por que chorava?. Não entendo. Ela é tão colorida, tão bonita, seus cabelos, seus olhos com cílios grandes. Ficou minha amiga e levava o desenho pra todos os lados. Eu mostrava para meus amigos, minha família. Ninguém ligava muito, mas eu tinha prazer em apresentá-la.
Picasso? Somente escrevi o nome da pintura e do artista na frente do desenho. Isso pra professora saber que eu tinha feito a lição corretamente.
Eduardo, Ricardo, Marcelo foram muito importante para meu processo de aprendizado. Mostravam, ensinando e guiando. Meus pais tinham essa ajuda grandiosa deles na nossa educação. Meus irmãos sempre foram sensíveis, embora tanta brutalidade que vivemos. Floresceram Letras, Música, Pinceladas, habilidades mil. Ensinar era prazeroso. Ensinei pouco meus irmãos. Agora já adulta posso aconselhar, não deixa de ser ensinamento.
***
O segundo momento em que reconheci o poder transformador da Educação na minha vida, foi também na 5 ou 6 serie, numa aula de historia. A professora Inajá falava de Iluminismo. Sua fala era suave, olhos grandes, lábios finos, cabelos escuros, atrás da orelha, longos. Sempre sentada atrás da mesa. E sempre achava que ela tivesse estado em todos os lugares de que falava, que ela tivesse presenciado aqueles fatos malucos. Será que ela conheceu toda essa gente da história que contava? Não sei. Mas logo percebi que era a aula esperada, ansiada, esperada não sei se por outras pessoas, mas por mim sobretudo.
Anos mais tarde, numa exposição BRASIL 500 ANOS, a encontrei na fila, num domingo absolutamente lotado no Parque Ibirapuera.
- Professora?
- ah..sim? ( ela claro não se lembrava de mim)
- fui sua aluna no CEPAO!!!! Eu amava suas aulas, foram as melhores da minha vida! Soltou risos tímidos, agradecidos.
- entre por aqui ( retirei-a da fila )
- A senhora será minha convidada. Trabalho como educadora aqui.
- que alegria, agora você vai me contar alguma estória!
martes, febrero 02, 2010
Perda e Muito Dano
pequena obra de ficção doméstica
. . .
- Então, sabe o celular que você deu pra ele? Perdeu no mar. Mas ele ficou agarrado 1 hora no poste, de medo...
1 Que não se pode contestar.
2 Indubitável; indiscutível.
3 Irrefutável.
Medo
Penitência
1. Qualquer ato de mortificação interior ou exterior.
2. Arrependimento de qualquer ação!ação má.
3. Relig. Pena imposta pelo confessor ao penitente para remissão ou expiação dos seus pecados.
4. Relig. Sacramento da Igreja que redime os pecados a quem os confessa.
5. Hist. relig. Castigo público imposto pelo tribunal da Inquisição.
6. Sofrimento, tormento.
o tribunal da penitência: o confessionário.
- Filho, não esqueça seu celular em hipótese alguma!!! Leve-o consigo sempre!!! Pra que te comprei um celular? É para ser usado.
No dia seguinte, pai, mãe e filho vão até à praia. Muitos graus e o mar esperando. O filhinho corre em direção às águas. Vestia sua bermudinha com bolsos laterais. E o celular? Devia levá-lo. O filho acata o pai de maneira incontestável. Não desobedaça as ordens!
Minutos depois... bolsos vazios.
Catatônico, se prende a um poste, o primeiro que encontrou. Dali não saía. Ficou 1 hora agarrado ao poste. Olhos molhados. Mãe, o pai vai brigar comigo. Não vou sair daqui. Eu perdi o celular.
. . .
- Então, sabe o celular que você deu pra ele? Perdeu no mar. Mas ele ficou agarrado 1 hora no poste, de medo...
- Bom, ele já se deu uma própria penitência. Muito bem. Compro outro celular.
Glossário:
Incontestável
adj (in+contestável) 1 Que não se pode contestar.
2 Indubitável; indiscutível.
3 Irrefutável.
Medo
(ê) sm (lat metu)
1 Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror.
2 Apreensão.
3 Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. sm pl Gestos ou visagens que causam susto.
Penitência
(latim paenitentia, -ae)
s. f.1. Qualquer ato de mortificação interior ou exterior.
2. Arrependimento de qualquer ação!ação má.
3. Relig. Pena imposta pelo confessor ao penitente para remissão ou expiação dos seus pecados.
4. Relig. Sacramento da Igreja que redime os pecados a quem os confessa.
5. Hist. relig. Castigo público imposto pelo tribunal da Inquisição.
6. Sofrimento, tormento.
o tribunal da penitência: o confessionário.
sábado, octubre 24, 2009
google.earth e minhas viagens
Há pouco tempo baixei a nova versão do Google Earth. Aí, fotos mostrando perspectivas mil das ruas pelo mundo. Me ajuda no momento de fazer um roteiro de viagem, ou matar curiosidade de alguns lugares que não sei se irei visitar um dia, por exemplo, a Antártida. Neve, neve, dunas de neves, o desenho do vento na neve, os pedações de gelo derretendo, algum indício de homens, com certeza fazendo pesquisas, rastros, montanhas de gelo, etc.
Quando nos aproximamos das fotografias, as imagens ficam dentro de umas bolhas flutuantes e podemos sobrevooar as cidades. Engraçado pela primeira vez, mas vai ficando divertido.
jueves, septiembre 24, 2009
linhas
Quiromancia, leitura das mãos, leitura das linhas.
Farei uma série de considerações sobre essa antiga prática.
Farei uma série de considerações sobre essa antiga prática.
miércoles, septiembre 23, 2009
entre flores de duraznos

Árida região mas com o frescor que se sente nas montanhas incas. E se sobe até onde as pernas deixam. A boca só abandona a secura depois de comer um pêssego molhado, uma lima-limão do pé, um figo sedoso. É longo o caminho pra encontrá-las, quietas, olvidadas. Deslizar entre os galhos, a pele já rubra do Sol, o chão incerto que resmunga a cada passo, água fazendo velhos caminhos. Que doces regalos da natureza.
sábado, septiembre 05, 2009
sábado, agosto 08, 2009
educador, onde está?
Tirando passaporte. Vais procurar tua profissão: Educador.
Encontras: astronauta, guilhotinador, garota de programa, insufilmador de veículos, lapidario, leiteiro, patinador, limpador de parabrisa, salgadeiro, margarefe, tanoeiro, presidente da república, aplicador de subestação, etc, etctarador.... Mas não EDUCADOR.
Val, essa é pra você. Nossa ocupação é: OUTROS
Encontras: astronauta, guilhotinador, garota de programa, insufilmador de veículos, lapidario, leiteiro, patinador, limpador de parabrisa, salgadeiro, margarefe, tanoeiro, presidente da república, aplicador de subestação, etc, etctarador.... Mas não EDUCADOR.
Val, essa é pra você. Nossa ocupação é: OUTROS
lunes, agosto 03, 2009
one giant leap

O homem fumou a vida inteira. Diz que começou quando jovem fumando charuto. Não era por causa do Fidel. Também bebeu por muitos anos, com vigor e diariamente. Por não aguentar mais as reclamações do cheiro de fumaça, ele, de um dia pro outro, deixou o cigarro.
Os médicos do HC não veem problemas com o pulmão. Ele não se diz doente, depois de ter se curado do câncer, e mesmo com o fêmur recolocado depois da cirurgia. O médico diz: o osso parece de um jovem.
Será o tereré? Será o sangue índigena? Será o seu alto grau de otimismo? Não sei, só sei que hoje ele caminhou, seu primeiro passo em pé, e vê-lo asssim - mesmo de andador - me deu muita alegria, como: trabalho cumprido.
miércoles, julio 08, 2009
Greve USP
Na USP, Faculdade de Letras
Barricadas feitas de mesas e cadeiras em frente às portas. Lá fora, alunos discutem sobre sua própria greve e a dos funcionários.
Aluna, encaminhando-se pra saída
- Quero passar
Aluno, zelando pela saída ou entrada
- Você não vai passar
Aluna, com espanto
- Sim, vou sair, tenho direito!
Aluno
- Você não vai sair. Foi deliberado que... (inaudível, a porta se fechava com violência)
Aluna, afasta-se, pede ajuda para um segurança. Ele diz não ter nada com isso. Aluna volta à porta, parece enfurecida
- Eu vou passar.
Aluno segura a maçaneta com as duas mãos. Outros alunos lá fora, observam.
Aluna, prepara-se para sair. Com avidez abre a porta, machuca a mão do aluno, passa pela barricada.
Aluno
- Você é grossa, hein
Aluna, enquanto caminha em direção à outra saída, da Ciências Sociais
- Você não pode me impedir de passar, vou onde quero, isso não é uma democracia?
Aluno
- Você tem que ir lá ver a reunião, a assembléia, isso é democracia.
Aluna, na saída das Ciências Sociais, encontra outras alunas que perguntam:
- Você conseguiu entrar no prédio? Hoje tentei entrar e me impediram, colocaram um aluno para perguntar o que íamos fazer dentro de nossa faculdade.
Aluna
- Eu tinha conseguido entrar, só não conseguia sair.
Alunas diversas
- Quanto você pagou para sair?
Aluna
- O que? Não paguei nada!!
Alunas diversas
- Ah... tivemos que pagar aos alunos 6 reais para poder sair do prédio das Letras.
Aluna
- ... só tive que quase quebrar uma porta para sair.
domingo, noviembre 02, 2008
de volta à casa.
Fiz as pazes com meu blog.
Fiquei a pensar se eu estava muito tempo sem fazer nada e logo, quando consigo um trabalho fixo, meu tempo todo é dedicado a ele.
No início é assim, quem sabe. A entrega, a concentração. Chego em casa e ainda reflito sobre o dia trabalhado, idéias, postura, sensações.
Passaram uns bons 6 meses desde que me fixei num só lugar, trabalhando com continuidade. Diferente. A efemeridade das exposições continua, uma diferente da outra, de modo que sempre há coisas novas para estudar e conhecer. Isso tem me movido e deixado com alegria.
Educador que trabalha em vários museus, sem salário garantido todo mês, sem direito de pegar uma gripe forte e faltar no trabalho, sem as devidas valorizações... Ainda assim, não me via em outra situação, o prazer dessa vida "instável" e a segurança de não conviver com posturas equivocadas por muito tempo... muitas coisas me prendiam ao trabalho temporário. E compartilho disso com muitos colegas.
Mas reconhecer-se a si mesmo é muito caminho andado para um reconhecimento maior. A angústia de não se ter um trabalho fixo para educador de exposições temporária, é totalmente compreesível e também é magnífica a oportunidade de ter contato com tantos acervos, obras, artistas, curadores, regras, posturas, metodologias.
Um dos artistas da exposição em que trabalho atualmente, disse ser magnífico ter um educador que possa atender pessoas no espaço expositivo. Mais lindo seria se essas condições de "estar no espaço" fossem justas e ainda, fossem fruto de um pensar generoso.
Volto ao meu bloguizinho, ainda com meus desabafos e alegrias. O Ipiranga não continua o mesmo definitivamente. O metrô tem sido gratificante, e futuramente talvez um problema... Há muitas famílias que terão que se mudar, ou pelos aluguéis que aumentam, ou pelas famílias que vendem suas casas, ou pela perda da tranquilidade do bairro.
Novas coisas para contar.
ºº
Fiquei a pensar se eu estava muito tempo sem fazer nada e logo, quando consigo um trabalho fixo, meu tempo todo é dedicado a ele.
No início é assim, quem sabe. A entrega, a concentração. Chego em casa e ainda reflito sobre o dia trabalhado, idéias, postura, sensações.
Passaram uns bons 6 meses desde que me fixei num só lugar, trabalhando com continuidade. Diferente. A efemeridade das exposições continua, uma diferente da outra, de modo que sempre há coisas novas para estudar e conhecer. Isso tem me movido e deixado com alegria.
Educador que trabalha em vários museus, sem salário garantido todo mês, sem direito de pegar uma gripe forte e faltar no trabalho, sem as devidas valorizações... Ainda assim, não me via em outra situação, o prazer dessa vida "instável" e a segurança de não conviver com posturas equivocadas por muito tempo... muitas coisas me prendiam ao trabalho temporário. E compartilho disso com muitos colegas.
Mas reconhecer-se a si mesmo é muito caminho andado para um reconhecimento maior. A angústia de não se ter um trabalho fixo para educador de exposições temporária, é totalmente compreesível e também é magnífica a oportunidade de ter contato com tantos acervos, obras, artistas, curadores, regras, posturas, metodologias.
Um dos artistas da exposição em que trabalho atualmente, disse ser magnífico ter um educador que possa atender pessoas no espaço expositivo. Mais lindo seria se essas condições de "estar no espaço" fossem justas e ainda, fossem fruto de um pensar generoso.
Volto ao meu bloguizinho, ainda com meus desabafos e alegrias. O Ipiranga não continua o mesmo definitivamente. O metrô tem sido gratificante, e futuramente talvez um problema... Há muitas famílias que terão que se mudar, ou pelos aluguéis que aumentam, ou pelas famílias que vendem suas casas, ou pela perda da tranquilidade do bairro.
Novas coisas para contar.
ºº
miércoles, enero 23, 2008
Leones de Bronce

Mirando una foto ya descolorida, me acordé de mi infancia en el barrio de Ipiranga. No sabía bien caminar por el barrio, pero me gustaban sus calles brillantes, la gente que se hablaba en las veredas, las vecinas chismosas. Solía jugar la rayuela con mis amigas y me encantaban las muñecas, en especial, las que mi mamá hacía. La primera vez que gané una hecha artesanalmente, me dio tanto miedo de su apariencia de muñeca Frankestein y sentí creo que vergüenza de mostrársela a mis amigas... luego, sentí vergüenza de pensar en tal cosa, puesto que la niñita de paño era exclusiva y hecha con amor. Al final, me gustaban más los autos de plásticos de mis hermanos mayores. El esconde-esconde solo pasó a ser interesante después que besé por primera vez, así tenía muchas razones para encontrar nuevos escondites.
Yo era delgadita y siempre tuve cabellos rizados, la piel alba. Era una niña muy curiosa, adoraba escuchar las historias de mis hermanos. Me daba gusto mirarlos jugar al fútbol mientras llovían tibias gotas. Me ponía los codos en la ventana, las manos apoyándome el rostro y llevaba un alma triste porque mis ganas eran de meterme allí, con ellos, buscando desesperadamente la pelota para hacer un gol. Claro mi mamá no me dejaba, primero, porque era juego para niños, después, porque llovía. Fue la última vez que los vi jugar todos juntos.
Una vez, mi papá nos había llevado al museo histórico del barrio... me hizo sentar en un león de bronce, hermoso, para sacarme una foto. Me puse tan ansiosa por montar el intrépido animal, era tan imponente e hierático, sus garras tan bien hechas, sus melenas inmóviles. Cuando subí, miré al león, él a mí... a cada sentímetro menos de distancia, me acercaba, en lento movimiento, disfrutando aquella sensación... él impasible en su condición de escultura. De repente, escuché algo. No sé bien precisar qué era, pero parecía un gruñir, un no-se-qué. Me puse tan estática como mi amigo leonino. Otra vez. El sonido era más fuerte, me acerqué junto a su melena con mis oídos y puse a escucharlo. Él rugía, ¿cómo? Lo respeté, porque quizá le hacía daño que tanta gente se sentara arriba suyo, le pedí perdón, que solo me voy a sacar una foto, por favor. Desde lejos encontré a mi papi dando la señal que ya me podría bajar.
Los leones siguen ahí, no del color bronce, sino verde de la lluvia ácida. Quizá lloran ahora. Las calles no tienen tanto brillo y las antiguas casas del siglo XIX fueron sustituídas por bancos y un gigante McDonald´s. Mantego la misma admiración por mis hermanos, aunque no me cuenten más historias fantásticas; aún sigo jugando con autos de plásticos, ahora de mis sobrinos. La foto no tiene tanto color y está desgastada, ya no estoy tan flaquita pero mi mamá aun mantiene la misma sonrisa cautiva.
lunes, diciembre 17, 2007
Turismo na Favela
Recentemente levei turistas argentinas para ver uma favela. Sim, uma favela. Pediram-me com entusiasmo. As opiniões se dividiram quando estávamos por chegar. Alguns sussurros de receio. A van estava bem agitada depois de algumas voltas, e logo voltou o entusiasmo, como sempre dentro de uma van cheia de turistas. Ao entrar na Estrada das Lágrimas, sentido São Caetano, de repente, um silêncio espantoso se implantou. Todos os rostos virados à calçada onde as construções desorganizadas se levantavam até 4 pisos. Dia de muito sol, e muita gente na rua. A van passava com pouca velocidade, como em câmera lenta. Os olhos viravam, nem pisacavam. Comecei a contar a história de como se deram essas construções, em que época, diferenças entre algumas favelas até mesmo do Rio de Janeiro.
Alguns piscares de olhos e logo:
Agitação, perguntas, curiosidades. Moram todas as famílias numa mesma casa? pagam luz e água? deve pedir licença para entrar? do que são feitas as casas? etc.
Respondi com muita propriedade...
Demos a volta e passamos na mesma calçada do Heliópolis, tiraram muitas fotos. Algumas se levantavam para ver as pequenas ruas estreitas que penetravam pela favela. Até mesmo as músicas altas saindo de carros equipados com vidros escuros, desenhos curiosos nas portas e traseira, atraíam as turistas da classe alta argentina. Como o dia ensolarado anunciava uma grande tempestada, mais e mais pessoas corriam de um lado a outro a fim de buscar seus guarda-chuvas ou tentar chegar sequinho em casa. Algumas crianças puxavam suas pipas que se enroscavam nas rabiolas de outras, as senhoras com seus carrinhos provavelmente chegando de alguma feira e tantas outras cenas do dia-a-dia de qualquer lugar.
Uma boa máquina fotográfica faria fotos maravilhosas...
jueves, octubre 25, 2007
Vida de Educador
Personagens:
educadora, trabalha em museus.
irmão da educadora, trabalha como economista em algum lugar.
visitante do museu, sempre vai a exposições como lazer
Os irmãos estão dentro do carro, de manhã.
irmão:
- Fica difícil para eu levar o pai no médico, você sabe né, por causa do trabalho...
educadora:
- Para mim também é difícil, mas temos que revezar...
irmão:
- Mas já sabe, o meu trabalho é um TRABALHO, né...
educadora:
- E o meu TAMBÉM é um TRABALHO...
A educadora, dentro do museu, à noite, após realizar uma visita educativa muito produtiva
visitante:
- Menina, estou muito grato pela tua visita, adorei!
educadora:
- Muito obrigada digo eu.
visitante aperta a mão da educadora
visitante:
- Agora, me diz... Em que você trabalha?
educadora:
- ESSE é o meu trabalho, senhor...
educadora, trabalha em museus.
irmão da educadora, trabalha como economista em algum lugar.
visitante do museu, sempre vai a exposições como lazer
Os irmãos estão dentro do carro, de manhã.
irmão:
- Fica difícil para eu levar o pai no médico, você sabe né, por causa do trabalho...
educadora:
- Para mim também é difícil, mas temos que revezar...
irmão:
- Mas já sabe, o meu trabalho é um TRABALHO, né...
educadora:
- E o meu TAMBÉM é um TRABALHO...
A educadora, dentro do museu, à noite, após realizar uma visita educativa muito produtiva
visitante:
- Menina, estou muito grato pela tua visita, adorei!
educadora:
- Muito obrigada digo eu.
visitante aperta a mão da educadora
visitante:
- Agora, me diz... Em que você trabalha?
educadora:
- ESSE é o meu trabalho, senhor...
martes, octubre 09, 2007
cabelos curtos

Outro dia eu tava falando com um amigo que me dizia que definitavamente eu deveria deixar meu cabelo crescer. Confesso que até tentei. Mas depois de sentir essa experiência: o vento no pescoço, o desuso de pentes e escovas, a leveza em minha cabeça... Na verdade, embora curtinho, o cabelo pode passar por muita mudança, não é tedioso e cada dia invento algo para ele.
Depois meu amigo veio dizer algo sobre feminilidade... oras, posso ser feminina mesmo com o cabelo curto, além do mais, deixei uns tufinhos para serem agarrados, entende.
Alguns me disseram que meu rosto se vê, está menos escondido.
Cortei o cabelo talvez no afã de PROVOCAR uma mudança, que mesmo que seja física, deu-me muito alívio interior. Sabe, como começar de novo, investir em coisas novas. De toda forma, ele crescerá, com vigor, forte e pronto para novas mudanças.
jueves, agosto 09, 2007
lustração, carinho, jaguaí
Madeira lembra: lustração
Lustração lembra: pedra pome
Lustração lembra: pedra pome
Pedra pome lembra: trabalho
***
Flor lembra: professora da escola
Professora da escola lembra: carinho
Carinho lembra: alegria do momento
Alegria do momento lembra: solidariedade do companheiro
***
Estrela lembra: astro
Astro lembra: personaje
Personaje lembra: Tibúrcio Duarte
Tibúrcio Duarte lembra: mestre em pedras
E assim por diante.
Pacuí
Tiradentes
Arroio Grande,
Estrada das Lágrimas...
E assim por diante.
Gato
Jacaré
Jaguaí
Mono...
E assim por diante
Alzheimer pode ser perigosa para quem cuida daquele que padece da enfermidade. Como fazer para não enlouquecer? É muito triste perguntar alguma coisa ao Don Pio e ele realmente não saber responder. Homem de vigor, de vitalidade jamais vista por mim na vida.
Mas descobri um meio de fazer com que ele pudesse se lembrar de coisas, ou ativar suas memórias, que nada são de elementares. Outro dia lhe fiz um desafio: dizia eu as letras do alfabeto e ele me dizia que palavras começavam com cada uma delas. Consituição, bandeira, etc, foram ditas. De uma ou outra maneira, sua vida política sempre vem à tona. Outro exercício bom é que ele escreva algo. O que fez no dia, ou uma poesia, ou um texto. O primeiro texto falava sobre mudanças no meio de comunicação. De certo ele me ouve falar da internet, que hoje falei com algum amigo na rede. Textos legais. Ok, ele leva o dia inteiro para realizar algo que outrora fazia em segundos.
São importantes exercícios, alguns aprendi no Hospital das Clinicas escutando algum doutor realiza-los. Meu pai gosta dos exercícios. Sempre lhe instigo a algo. Quando está assim, a olhar o Nada, dou-lhe álbuns de fotos para lembrar alguma coisa. Outro dia viu sua própria imagem e não se reconheceu. Estranho. Mas compreensível. Muitas das células neurais morreram e consigo levaram memórias. Por isso fazer exercícios é muito bom, porque suas células, as vivas, acham outros caminhos, outro meios de conexões. Reavivam algumas memórias bem escondidas em seu cérebro. Às vezes eu mesma queria perder certas memórias. Mas a natureza que se encarregue disso. Caso não, posso viver com elas.
domingo, junio 17, 2007
CORPOS NA OCA

Não me causaram tanto impacto os corpos dissecados. São corpos ou moldes? Moléculas de polímero substituem as de água. Pensei em fósseis, em que a estrutura orgânica é substituída por mineral. Logo, entrei na exposição tranqüilamente imaginando que eram objetos siliconados, que tiveram como base um corpo humano. Al fin y al cabo, eram corpos humanos. Parece que possuem DNA. Então me resta ainda a dúvida, ¿será que tiveram funerais? São corpos “doados”. Chineses. E se o corpo é doado, imagino que na chegada da famigerada, faz-se um cerimonial e logo é encaminhado ao necrotério. Aí o cadáver espera alguma faculdade comprá-lo para estudos.
Tudo isso busco entrelaçar na exposição. Era inegociável: teria que trabalhar conceitos mais poéticos, subjetivos, experiências pessoais, saúde no cotidiano. O objeto está lá, dessa vez não é uma obra de arte visual, de algum artista renomado, senão a própria VIDA, dilacerada, dissecada. O receptáculo de nossa alma, dizem; aquilo que nos acompanhará até o dia da morte: o corpo. Roubo as palavras de meu colega educador Arturo, quando diz que “dentro de nosso corpo há vários corpos”. Seja o corpo esquelético, o muscular, etc, além dos corpos que estão dentro da mente, de nossa imaginação e SONHOS.
Paralelo a isso, quando visitamos a exposição “criamos” um corpo. Analogamente à casa, às construções – cujas estruturas são parecidas com as nossas – desde as fundações, pilares, vigas, alvenaria, encanamento, fiação, acabamento, esgoto, etc... e o cuidado da casa, feito pelas células: nós mesmos, que seremos abastecidos e cuidados, e assim por diante. Nada é independente, tudo está interligado. É o caminho que faço quando visito o “Corpo Humano, Real e Fascinante”. Estabelecer a ligação entre os sistemas de nosso corpo, tendo como eixo principal o Sistema Nervoso, que é inacreditavelmente perfeito. Inicio ou finalizo a visita com uma frase de Leonardo da Vinci:
“Embora a criatividade humana seja capaz de fazer várias invenções, com a ajuda de diversas máquinas atendendo ao mesmo objetivo, ela jamais projetará nada mais belo ou simples ou mais pertinente que a Natureza, cujas invenções nada têm de incompleto, tampouco supérfluo”.1
Reafirmo a questão das relações que são criadas dentro do corpo. E fora? Como ser coerentes com o mundo que nos rodeia? Como estamos para a Natureza, como ela está para nós? SOMOS NATUREZA. Também buscamos equilíbrio, o mesmo que é buscado pela homeostase corporal. Se internamente o corpo cria meios de se equilibrar, também podemos buscar isso nas nossas relações com o mundo, com as pessoas, com a natureza externa a nós. Faço dessas questões minhas aliadas para “criar o corpo” da exposição. Passamos pelo sistema esquelético, muscular, pelos tendões, inclusive o de Aquiles, cuja história sempre menciono. Citamos técnicas de conservação de corpos e a quê elas se destinam.
O que nos faz ficar de pé? É o momento de rever coisas, de pensar nos sistemas que vimos até então. Será que são os esqueletos? Será que são os músculos, tendões... Não consigo passar pelo Sistema Nervoso sem falar da VONTADE, da INICIATIVA, do DESEJO. A exposição abre muitos leques para se falar de nós mesmos, de nossas emoções, do quão poderoso é o cérebro, nosso poder de mudar coisas somente com o PENSAMENTO. Que todos somos sensíveis, porque temos milhões de células nervosas responsáveis por isso, que possuímos o sistema límbico que controla as emoções, o comportamento emocional, memória, aprendizado... Escolho um aluno e finjo que vou jogar-lhe algo. Logo faz o gesto de quem vai pegar o objeto. Nada jogo. Mas ele move-se todo afim de não deixar cair o invisível. Reflexo bom têm os alunos.
As melhores dinâmicas a serem criadas na exposição têm como coadjuvantes nós mesmos. Melhor material de apoio impossível. Exercitamos nosso corpo mental e físico e até o chiclete mastigado – que entrou clandestinamente – tem utilidade para a compreensão do sistema digestório. Posta clara a questão das relações indissociáveis que existem no corpo, chegamos ao ápice do percurso na exposição: o conjunto das células que compõem o corpo. O mágico da união dos 23 cromossomos da maior celular feminina ( o óvulo ) e a menor célula masculina ( o espermatozóide ). UNIÃO necessária para a criação de todas nossas células de 46 cromossomos. Somos feitos de DOIS, já levamos a dualidade num nível muito profundo do corpo. Como não pensar na alegria e na tristeza, na necessidade das dualidades complementares? Tão simples e pertinente...
Muitas pessoas passam mal, desmaiam, se impressionam e se repugnam. Outro dia, uma senhora disse, depois de ter visto um garoto mareado, que ela sim estava passando mal por causa do valor da entrada: 40 reais... Próximo assunto que quero estudar: em que parte do cérebro está a CURIOSIDADE? Por que ela se manifesta, que efeitos causam no corpo? Muito a se pensar.

El Español y yo
Prazeroso é meu contato com esse idioma. Placentero, mejor dicho. Prazeroso soa forte, o “r” o “z” fazem dessa palavra algo pesado. A primeira palavra em espanhol que vi foi “MOSCÚ”. Está escrito errado, disse a meu irmão Edu, recém chegado da ex-URSS. Está escrito em espanhol, falou. Ah. Moscú. Dei risada. mosCÚ. E como todos falam que “minha vida parece uma novela”, sinto-me no direito de dizer o mesmo. Trás a descoberta de meu sangue paraguaio, fui tocada pelo interesse de conhecer o idioma. Na época, pasmem, comecei escutando Ricky Martin...ai. O passado me condena. Mas era a única coisa que se vendia por esses lados. Aos poucos fui estudando, indo a terras guaranis, platinas e à terra de Neruda, de quem li, inclusive, a primeira poesia na vida. E não precisei cruzar o Atlântico para chegar em Brecht.Na adolescência esses nomes pareciam diferentes e interessantes. Andava eu com a camiseta do Che – sem saber exatamente quem era ou o quê havia feito – além da camiseta do “Jack Daniels” pensando ser um cantor de rock. Em minha primeira viagem ao Paraguai, aluguei minha irmã, me ensina como se fala. O som. A pronúncia. AH, bate-papo na internet. Aprendi muito nas salas internacionales, ou nas salas da Argentina, Peru, Espanha. Então me deparei com algo assustador: todos tinham seus modismos, gírias específicas. Para piorar, eu dizia “tú”, me chamavam de “vos”. Ai ai. Eu escrevia “son” e eu lia “sois”.
O idioma foi se cristalizando a partir da Literatura. Meu foco passou a ser os livros e um bom dicionário. A cada viagem, músicos fantásticos. A cada nova amizade, mais me sentia confortável com o idioma. Deixei, por sorte, de ouvir Ricky Martin, e consegui Silvio Rodrigues, Pablo Milanês, Joe Vasconcellos ( por meio de meu amigo chileno Pablo), La Barranca, Maná, ( meu amigo mexicano Javier), Arteciopelados ( hermosa Solange semi-colombiana ), Calamaro, Fito Paez, Orishas, Estopa, Manu Chao, flamencos, tangos, guarânias... ( por minhas curiosidades ). Borges, Isabell Allende, Neruda, Reynado Arenas,
Octavio Paz. Tudo em espanhol.O falar possibilitou-me errar, aprender, reaprender, domesticar a língua. Vivenciar o idioma é essencial. Estudar a gramática culta passou então a ser o objetivo. Já vivenciava o vocabulário, a leitura, a fala, e me dediquei à escrita. Cartas e cartas. Correspondências com meus amigos da internet, com minha família. Gosto e deleite. Cada vez que estudava o espanhol, mais aprendia o português! Importante é saber o funcionamento gramatical de nossa língua mãe para o aprendizado da segunda língua.
Al fin y al cabo, o interesse pelo idioma é incentivado pelo meu interesse em saber quem sou, quem faz parte do time de meu código genético. Talvez estudar o espanhol tenha me motivado a descobrir aquilo de que gosto; fez reconhecer-me a mim, a minha família, a América Latina.
viernes, marzo 02, 2007
Sabores
Cenouras brandas, a fuego lento, com manteiga e caldo sabroso de legumes, pura terra-mãe. Todos aglutinados, quebrada a solidez, volviendose jugoso. Zumo de laranja. A fuego lento. Cítrico forte mesclado ao creme de leite. Por cima, plantas de Zeus ou Saturno. Contraste colorido que apetece.
União dos seres marinhos. Vinho para acompanhar.
Suculência arenosa da fruta e vanilla diluída. Olor úmido mascavo. Color dourado texturizado, matizado por semillas de papoula.
Algodón.
Seda.
Proteínas, Sais minerais. Faz bem à pele.
martes, febrero 27, 2007
Música from Argentina Brasil
Já me emocionei frente a um Picasso, a um Filonov, a um Volpi. Mas a música consegue realmente chegar no mais profundo de minhas emoções. Parece mesmo que tenho uma trilha sonora para cada momento. Acho que as decisões mais importantes que tomei na vida tiveram um fundo musical.
Fui ao auditório do Ibirapuera ver a Orquestra Típica Fernández Fierro, da Argentina, mais a Orquestra Popular de Câmara, Brasil. Sem falar do espaço, que é acusticamente divino, ademais de ótima visibilidade, o espetáculo foi sensacional. Os percussionistas brasileiros fizeram obras primas no palco e um deles me fez lembrar o Calder e seus móbiles. Os instrumentos balangandavam, se suspendiam, de repente, faziam sons tão harmonicamente mesclado com os violinos, com o piano; o movimento dos músicos era pleno de alegria com a seriedade daquele que lia a partitura e o riso de Lula Alencar do acordeão brilhante.
Em seguida, escuridão. Eu estava perto do palco e pude ver a organização dos músicos argentinos que adentravam, se organizavam...se escutava o delicioso acento porteño. Anciava escutar esse tango orquestrado, essa equipe de jovens músicos, cabeludos, tatuados, rastafaris e seus piercings. Além claro, dos violinos, piano, violaocelo, bandoneon. Foi visceral.
A orquestra é formada por 12 músicos e tem um espaço próprio onde tocam todas as quartas-feiras no “El CAFF”. Logicamente quero conhecer o lugar na minha próxima visita à Argentina. São excelentes, têm presença de palco, são teatrais. O “Chino”, o cantor, é um personaje, como diz minha mais recente amiga argentina, Mercedes. Eles são estilosos, com figurino descontraído, cabelos larguíssimos, guapíssimos. Quando tocaram a primeira música, fiquei em transe. O som dos 4 bandoneones, a força dos violinos, à batida do tango. Interpretaram Piazzola, tangos tradicionais adaptados com uma linguagem moderna, no corpo, na alma. A iluminação criou aquele ambiente dramático, do amor rasgado e partido; luz intensa por baixo do piano quebrava a escuridão do palco. Logo, as luzes vermelhas que tingiam os músicos que ladeavam suas cabeças, de um lado a outro.
Tive a certeza de minha volta à Argentina. Escutá-los me despertou o desejo de viajar, de conhecer lugares e gente interessante; me aflorou a audácia, o destemor. (RE)Vitalidade. Os primeiros aplausos, explosivos. Na minha frente sentavam duas senhoras que nos intervalos de cada música cochichavam avidamente. Quando o Chino anunciou que a próxima seria a última a ser tocada, elas se manisfestaram com alívio “Como pode ser? Vim ver uma orquestra e me aparece um monte de cabeludo, tatuado, bla bla bla, vim ver tango, blá blá blá”. Hahahahha, hahahahaha, hahahahah. Elas saíram correndo. Me reí mucho, che! ºº
Fui ao auditório do Ibirapuera ver a Orquestra Típica Fernández Fierro, da Argentina, mais a Orquestra Popular de Câmara, Brasil. Sem falar do espaço, que é acusticamente divino, ademais de ótima visibilidade, o espetáculo foi sensacional. Os percussionistas brasileiros fizeram obras primas no palco e um deles me fez lembrar o Calder e seus móbiles. Os instrumentos balangandavam, se suspendiam, de repente, faziam sons tão harmonicamente mesclado com os violinos, com o piano; o movimento dos músicos era pleno de alegria com a seriedade daquele que lia a partitura e o riso de Lula Alencar do acordeão brilhante.
Em seguida, escuridão. Eu estava perto do palco e pude ver a organização dos músicos argentinos que adentravam, se organizavam...se escutava o delicioso acento porteño. Anciava escutar esse tango orquestrado, essa equipe de jovens músicos, cabeludos, tatuados, rastafaris e seus piercings. Além claro, dos violinos, piano, violaocelo, bandoneon. Foi visceral.
A orquestra é formada por 12 músicos e tem um espaço próprio onde tocam todas as quartas-feiras no “El CAFF”. Logicamente quero conhecer o lugar na minha próxima visita à Argentina. São excelentes, têm presença de palco, são teatrais. O “Chino”, o cantor, é um personaje, como diz minha mais recente amiga argentina, Mercedes. Eles são estilosos, com figurino descontraído, cabelos larguíssimos, guapíssimos. Quando tocaram a primeira música, fiquei em transe. O som dos 4 bandoneones, a força dos violinos, à batida do tango. Interpretaram Piazzola, tangos tradicionais adaptados com uma linguagem moderna, no corpo, na alma. A iluminação criou aquele ambiente dramático, do amor rasgado e partido; luz intensa por baixo do piano quebrava a escuridão do palco. Logo, as luzes vermelhas que tingiam os músicos que ladeavam suas cabeças, de um lado a outro.
Tive a certeza de minha volta à Argentina. Escutá-los me despertou o desejo de viajar, de conhecer lugares e gente interessante; me aflorou a audácia, o destemor. (RE)Vitalidade. Os primeiros aplausos, explosivos. Na minha frente sentavam duas senhoras que nos intervalos de cada música cochichavam avidamente. Quando o Chino anunciou que a próxima seria a última a ser tocada, elas se manisfestaram com alívio “Como pode ser? Vim ver uma orquestra e me aparece um monte de cabeludo, tatuado, bla bla bla, vim ver tango, blá blá blá”. Hahahahha, hahahahaha, hahahahah. Elas saíram correndo. Me reí mucho, che! ºº
miércoles, febrero 14, 2007
Na Minha Terra
Amo o vento da noite sussurrante
A tremer nos pinheiros
E a cantiga do pobre caminhante
No rancho dos tropeiros;
º
E os monótonos sons de uma viola
No tardio verão,
E a estrada que além se desenrola
No véu da escuridão;
º
A restinga d'areia onde rebenta
O oceano a bramir,
Onde a lua na praia macilenta
Vem pálida luzir;
°
E a névoa e flores e o doce ar cheiroso
Do amanhecer na serra,
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu de minha terra;
º
ººLira dos Vinte Anos - Ateliê Editorial
Capa e frontispício: Luciana Rochaºº
º
Gosto muito do início de "Na Minha Terra" do poeta Álvares de Azevedo. Teve inspiração na natureza, das coisas mais singelas (os cheiro das flores, os sons da viola) às mais taciturnas (noite sussurrante, véu da escuridão).
Quase se pode pensar que o mesmo olhar que admira as belezas da terra, que não deixam de inspirar amor e volúpia, também admira o mistério dos mantos nebulosos, das névoas, da escuridão. No entanto, mesmo nas passagens onde cita o 'verão', 'flores', 'azul', 'praia' que podem ser símbolos de felicidade, o verão é tardio, a névoa acompanha as flores, o céu azul é coberto por um manto nebuloso e a praia é macilenta.
Nos 4 primeiros versos, Azevedo se utiliza de aliterações que valorizam o efeito de sentido: 'sussurrante', no primeiro verso. O uso do 's' aqui produz o efeito expirado que anuncia o vento que passará pelos 'pinheiroS' e tropeiroS'; a conseqüência disso é refletida pelo uso de "tr" em 'tremer' e 'tropeiros', assim, o vento vibra, estremece. O 't', que é ocluviso e explosivo, juntamente com o 'r' produz um efeito sinestésico auditivo e tátil.
Nos versos da segunda estrofe, no entanto, o uso da assonância da vogal 'o' e das rimas 'ão' produzem outro efeito: o do encerramento, do fechar-se em si, do eu, do interno, do breu. "Os mOnÓtOnOs sOns'; 'nO'; 'tardiO'; 'verÃO'; 'escuridÃO'. A vogal 'o', nessas palavras, é fechada e o 'ão' salienta ainda mais o sentido de que o eu-lírico pode se remeter a seu interior soturno, e os 'monótonos sons de uma viola' se encerram em si, não se extendem, não gritam, não se expandem.
Ao longo do poema há mais exemplos interessantes que denotam seu amor por sua 'terra sombria', que é sempre bela.
Suscribirse a:
Entradas (Atom)


