domingo, noviembre 02, 2008
de volta à casa.
Fiquei a pensar se eu estava muito tempo sem fazer nada e logo, quando consigo um trabalho fixo, meu tempo todo é dedicado a ele.
No início é assim, quem sabe. A entrega, a concentração. Chego em casa e ainda reflito sobre o dia trabalhado, idéias, postura, sensações.
Passaram uns bons 6 meses desde que me fixei num só lugar, trabalhando com continuidade. Diferente. A efemeridade das exposições continua, uma diferente da outra, de modo que sempre há coisas novas para estudar e conhecer. Isso tem me movido e deixado com alegria.
Educador que trabalha em vários museus, sem salário garantido todo mês, sem direito de pegar uma gripe forte e faltar no trabalho, sem as devidas valorizações... Ainda assim, não me via em outra situação, o prazer dessa vida "instável" e a segurança de não conviver com posturas equivocadas por muito tempo... muitas coisas me prendiam ao trabalho temporário. E compartilho disso com muitos colegas.
Mas reconhecer-se a si mesmo é muito caminho andado para um reconhecimento maior. A angústia de não se ter um trabalho fixo para educador de exposições temporária, é totalmente compreesível e também é magnífica a oportunidade de ter contato com tantos acervos, obras, artistas, curadores, regras, posturas, metodologias.
Um dos artistas da exposição em que trabalho atualmente, disse ser magnífico ter um educador que possa atender pessoas no espaço expositivo. Mais lindo seria se essas condições de "estar no espaço" fossem justas e ainda, fossem fruto de um pensar generoso.
Volto ao meu bloguizinho, ainda com meus desabafos e alegrias. O Ipiranga não continua o mesmo definitivamente. O metrô tem sido gratificante, e futuramente talvez um problema... Há muitas famílias que terão que se mudar, ou pelos aluguéis que aumentam, ou pelas famílias que vendem suas casas, ou pela perda da tranquilidade do bairro.
Novas coisas para contar.
ºº
miércoles, enero 23, 2008
Leones de Bronce

Mirando una foto ya descolorida, me acordé de mi infancia en el barrio de Ipiranga. No sabía bien caminar por el barrio, pero me gustaban sus calles brillantes, la gente que se hablaba en las veredas, las vecinas chismosas. Solía jugar la rayuela con mis amigas y me encantaban las muñecas, en especial, las que mi mamá hacía. La primera vez que gané una hecha artesanalmente, me dio tanto miedo de su apariencia de muñeca Frankestein y sentí creo que vergüenza de mostrársela a mis amigas... luego, sentí vergüenza de pensar en tal cosa, puesto que la niñita de paño era exclusiva y hecha con amor. Al final, me gustaban más los autos de plásticos de mis hermanos mayores. El esconde-esconde solo pasó a ser interesante después que besé por primera vez, así tenía muchas razones para encontrar nuevos escondites.
Yo era delgadita y siempre tuve cabellos rizados, la piel alba. Era una niña muy curiosa, adoraba escuchar las historias de mis hermanos. Me daba gusto mirarlos jugar al fútbol mientras llovían tibias gotas. Me ponía los codos en la ventana, las manos apoyándome el rostro y llevaba un alma triste porque mis ganas eran de meterme allí, con ellos, buscando desesperadamente la pelota para hacer un gol. Claro mi mamá no me dejaba, primero, porque era juego para niños, después, porque llovía. Fue la última vez que los vi jugar todos juntos.
Una vez, mi papá nos había llevado al museo histórico del barrio... me hizo sentar en un león de bronce, hermoso, para sacarme una foto. Me puse tan ansiosa por montar el intrépido animal, era tan imponente e hierático, sus garras tan bien hechas, sus melenas inmóviles. Cuando subí, miré al león, él a mí... a cada sentímetro menos de distancia, me acercaba, en lento movimiento, disfrutando aquella sensación... él impasible en su condición de escultura. De repente, escuché algo. No sé bien precisar qué era, pero parecía un gruñir, un no-se-qué. Me puse tan estática como mi amigo leonino. Otra vez. El sonido era más fuerte, me acerqué junto a su melena con mis oídos y puse a escucharlo. Él rugía, ¿cómo? Lo respeté, porque quizá le hacía daño que tanta gente se sentara arriba suyo, le pedí perdón, que solo me voy a sacar una foto, por favor. Desde lejos encontré a mi papi dando la señal que ya me podría bajar.
Los leones siguen ahí, no del color bronce, sino verde de la lluvia ácida. Quizá lloran ahora. Las calles no tienen tanto brillo y las antiguas casas del siglo XIX fueron sustituídas por bancos y un gigante McDonald´s. Mantego la misma admiración por mis hermanos, aunque no me cuenten más historias fantásticas; aún sigo jugando con autos de plásticos, ahora de mis sobrinos. La foto no tiene tanto color y está desgastada, ya no estoy tan flaquita pero mi mamá aun mantiene la misma sonrisa cautiva.
lunes, diciembre 17, 2007
Turismo na Favela
Recentemente levei turistas argentinas para ver uma favela. Sim, uma favela. Pediram-me com entusiasmo. As opiniões se dividiram quando estávamos por chegar. Alguns sussurros de receio. A van estava bem agitada depois de algumas voltas, e logo voltou o entusiasmo, como sempre dentro de uma van cheia de turistas. Ao entrar na Estrada das Lágrimas, sentido São Caetano, de repente, um silêncio espantoso se implantou. Todos os rostos virados à calçada onde as construções desorganizadas se levantavam até 4 pisos. Dia de muito sol, e muita gente na rua. A van passava com pouca velocidade, como em câmera lenta. Os olhos viravam, nem pisacavam. Comecei a contar a história de como se deram essas construções, em que época, diferenças entre algumas favelas até mesmo do Rio de Janeiro.
Alguns piscares de olhos e logo:
Agitação, perguntas, curiosidades. Moram todas as famílias numa mesma casa? pagam luz e água? deve pedir licença para entrar? do que são feitas as casas? etc.
Respondi com muita propriedade...
Demos a volta e passamos na mesma calçada do Heliópolis, tiraram muitas fotos. Algumas se levantavam para ver as pequenas ruas estreitas que penetravam pela favela. Até mesmo as músicas altas saindo de carros equipados com vidros escuros, desenhos curiosos nas portas e traseira, atraíam as turistas da classe alta argentina. Como o dia ensolarado anunciava uma grande tempestada, mais e mais pessoas corriam de um lado a outro a fim de buscar seus guarda-chuvas ou tentar chegar sequinho em casa. Algumas crianças puxavam suas pipas que se enroscavam nas rabiolas de outras, as senhoras com seus carrinhos provavelmente chegando de alguma feira e tantas outras cenas do dia-a-dia de qualquer lugar.
Uma boa máquina fotográfica faria fotos maravilhosas...
jueves, octubre 25, 2007
Vida de Educador
educadora, trabalha em museus.
irmão da educadora, trabalha como economista em algum lugar.
visitante do museu, sempre vai a exposições como lazer
Os irmãos estão dentro do carro, de manhã.
irmão:
- Fica difícil para eu levar o pai no médico, você sabe né, por causa do trabalho...
educadora:
- Para mim também é difícil, mas temos que revezar...
irmão:
- Mas já sabe, o meu trabalho é um TRABALHO, né...
educadora:
- E o meu TAMBÉM é um TRABALHO...
A educadora, dentro do museu, à noite, após realizar uma visita educativa muito produtiva
visitante:
- Menina, estou muito grato pela tua visita, adorei!
educadora:
- Muito obrigada digo eu.
visitante aperta a mão da educadora
visitante:
- Agora, me diz... Em que você trabalha?
educadora:
- ESSE é o meu trabalho, senhor...
martes, octubre 09, 2007
cabelos curtos

Outro dia eu tava falando com um amigo que me dizia que definitavamente eu deveria deixar meu cabelo crescer. Confesso que até tentei. Mas depois de sentir essa experiência: o vento no pescoço, o desuso de pentes e escovas, a leveza em minha cabeça... Na verdade, embora curtinho, o cabelo pode passar por muita mudança, não é tedioso e cada dia invento algo para ele.
Depois meu amigo veio dizer algo sobre feminilidade... oras, posso ser feminina mesmo com o cabelo curto, além do mais, deixei uns tufinhos para serem agarrados, entende.
Alguns me disseram que meu rosto se vê, está menos escondido.
Cortei o cabelo talvez no afã de PROVOCAR uma mudança, que mesmo que seja física, deu-me muito alívio interior. Sabe, como começar de novo, investir em coisas novas. De toda forma, ele crescerá, com vigor, forte e pronto para novas mudanças.
jueves, agosto 09, 2007
lustração, carinho, jaguaí
Lustração lembra: pedra pome
E assim por diante.
Pacuí
Tiradentes
Arroio Grande,
Estrada das Lágrimas...
E assim por diante.
Gato
Jacaré
Jaguaí
Mono...
E assim por diante
Alzheimer pode ser perigosa para quem cuida daquele que padece da enfermidade. Como fazer para não enlouquecer? É muito triste perguntar alguma coisa ao Don Pio e ele realmente não saber responder. Homem de vigor, de vitalidade jamais vista por mim na vida.
Mas descobri um meio de fazer com que ele pudesse se lembrar de coisas, ou ativar suas memórias, que nada são de elementares. Outro dia lhe fiz um desafio: dizia eu as letras do alfabeto e ele me dizia que palavras começavam com cada uma delas. Consituição, bandeira, etc, foram ditas. De uma ou outra maneira, sua vida política sempre vem à tona. Outro exercício bom é que ele escreva algo. O que fez no dia, ou uma poesia, ou um texto. O primeiro texto falava sobre mudanças no meio de comunicação. De certo ele me ouve falar da internet, que hoje falei com algum amigo na rede. Textos legais. Ok, ele leva o dia inteiro para realizar algo que outrora fazia em segundos.
São importantes exercícios, alguns aprendi no Hospital das Clinicas escutando algum doutor realiza-los. Meu pai gosta dos exercícios. Sempre lhe instigo a algo. Quando está assim, a olhar o Nada, dou-lhe álbuns de fotos para lembrar alguma coisa. Outro dia viu sua própria imagem e não se reconheceu. Estranho. Mas compreensível. Muitas das células neurais morreram e consigo levaram memórias. Por isso fazer exercícios é muito bom, porque suas células, as vivas, acham outros caminhos, outro meios de conexões. Reavivam algumas memórias bem escondidas em seu cérebro. Às vezes eu mesma queria perder certas memórias. Mas a natureza que se encarregue disso. Caso não, posso viver com elas.
domingo, junio 17, 2007
CORPOS NA OCA

Tudo isso busco entrelaçar na exposição. Era inegociável: teria que trabalhar conceitos mais poéticos, subjetivos, experiências pessoais, saúde no cotidiano. O objeto está lá, dessa vez não é uma obra de arte visual, de algum artista renomado, senão a própria VIDA, dilacerada, dissecada. O receptáculo de nossa alma, dizem; aquilo que nos acompanhará até o dia da morte: o corpo. Roubo as palavras de meu colega educador Arturo, quando diz que “dentro de nosso corpo há vários corpos”. Seja o corpo esquelético, o muscular, etc, além dos corpos que estão dentro da mente, de nossa imaginação e SONHOS.
Paralelo a isso, quando visitamos a exposição “criamos” um corpo. Analogamente à casa, às construções – cujas estruturas são parecidas com as nossas – desde as fundações, pilares, vigas, alvenaria, encanamento, fiação, acabamento, esgoto, etc... e o cuidado da casa, feito pelas células: nós mesmos, que seremos abastecidos e cuidados, e assim por diante. Nada é independente, tudo está interligado. É o caminho que faço quando visito o “Corpo Humano, Real e Fascinante”. Estabelecer a ligação entre os sistemas de nosso corpo, tendo como eixo principal o Sistema Nervoso, que é inacreditavelmente perfeito. Inicio ou finalizo a visita com uma frase de Leonardo da Vinci:
“Embora a criatividade humana seja capaz de fazer várias invenções, com a ajuda de diversas máquinas atendendo ao mesmo objetivo, ela jamais projetará nada mais belo ou simples ou mais pertinente que a Natureza, cujas invenções nada têm de incompleto, tampouco supérfluo”.1
Reafirmo a questão das relações que são criadas dentro do corpo. E fora? Como ser coerentes com o mundo que nos rodeia? Como estamos para a Natureza, como ela está para nós? SOMOS NATUREZA. Também buscamos equilíbrio, o mesmo que é buscado pela homeostase corporal. Se internamente o corpo cria meios de se equilibrar, também podemos buscar isso nas nossas relações com o mundo, com as pessoas, com a natureza externa a nós. Faço dessas questões minhas aliadas para “criar o corpo” da exposição. Passamos pelo sistema esquelético, muscular, pelos tendões, inclusive o de Aquiles, cuja história sempre menciono. Citamos técnicas de conservação de corpos e a quê elas se destinam.
O que nos faz ficar de pé? É o momento de rever coisas, de pensar nos sistemas que vimos até então. Será que são os esqueletos? Será que são os músculos, tendões... Não consigo passar pelo Sistema Nervoso sem falar da VONTADE, da INICIATIVA, do DESEJO. A exposição abre muitos leques para se falar de nós mesmos, de nossas emoções, do quão poderoso é o cérebro, nosso poder de mudar coisas somente com o PENSAMENTO. Que todos somos sensíveis, porque temos milhões de células nervosas responsáveis por isso, que possuímos o sistema límbico que controla as emoções, o comportamento emocional, memória, aprendizado... Escolho um aluno e finjo que vou jogar-lhe algo. Logo faz o gesto de quem vai pegar o objeto. Nada jogo. Mas ele move-se todo afim de não deixar cair o invisível. Reflexo bom têm os alunos.
As melhores dinâmicas a serem criadas na exposição têm como coadjuvantes nós mesmos. Melhor material de apoio impossível. Exercitamos nosso corpo mental e físico e até o chiclete mastigado – que entrou clandestinamente – tem utilidade para a compreensão do sistema digestório. Posta clara a questão das relações indissociáveis que existem no corpo, chegamos ao ápice do percurso na exposição: o conjunto das células que compõem o corpo. O mágico da união dos 23 cromossomos da maior celular feminina ( o óvulo ) e a menor célula masculina ( o espermatozóide ). UNIÃO necessária para a criação de todas nossas células de 46 cromossomos. Somos feitos de DOIS, já levamos a dualidade num nível muito profundo do corpo. Como não pensar na alegria e na tristeza, na necessidade das dualidades complementares? Tão simples e pertinente...
Muitas pessoas passam mal, desmaiam, se impressionam e se repugnam. Outro dia, uma senhora disse, depois de ter visto um garoto mareado, que ela sim estava passando mal por causa do valor da entrada: 40 reais... Próximo assunto que quero estudar: em que parte do cérebro está a CURIOSIDADE? Por que ela se manifesta, que efeitos causam no corpo? Muito a se pensar.

El Español y yo
Prazeroso é meu contato com esse idioma. Placentero, mejor dicho. Prazeroso soa forte, o “r” o “z” fazem dessa palavra algo pesado. A primeira palavra em espanhol que vi foi “MOSCÚ”. Está escrito errado, disse a meu irmão Edu, recém chegado da ex-URSS. Está escrito em espanhol, falou. Ah. Moscú. Dei risada. mosCÚ. E como todos falam que “minha vida parece uma novela”, sinto-me no direito de dizer o mesmo. Trás a descoberta de meu sangue paraguaio, fui tocada pelo interesse de conhecer o idioma. Na época, pasmem, comecei escutando Ricky Martin...ai. O passado me condena. Mas era a única coisa que se vendia por esses lados. Aos poucos fui estudando, indo a terras guaranis, platinas e à terra de Neruda, de quem li, inclusive, a primeira poesia na vida. E não precisei cruzar o Atlântico para chegar em Brecht.Na adolescência esses nomes pareciam diferentes e interessantes. Andava eu com a camiseta do Che – sem saber exatamente quem era ou o quê havia feito – além da camiseta do “Jack Daniels” pensando ser um cantor de rock. Em minha primeira viagem ao Paraguai, aluguei minha irmã, me ensina como se fala. O som. A pronúncia. AH, bate-papo na internet. Aprendi muito nas salas internacionales, ou nas salas da Argentina, Peru, Espanha. Então me deparei com algo assustador: todos tinham seus modismos, gírias específicas. Para piorar, eu dizia “tú”, me chamavam de “vos”. Ai ai. Eu escrevia “son” e eu lia “sois”.
O idioma foi se cristalizando a partir da Literatura. Meu foco passou a ser os livros e um bom dicionário. A cada viagem, músicos fantásticos. A cada nova amizade, mais me sentia confortável com o idioma. Deixei, por sorte, de ouvir Ricky Martin, e consegui Silvio Rodrigues, Pablo Milanês, Joe Vasconcellos ( por meio de meu amigo chileno Pablo), La Barranca, Maná, ( meu amigo mexicano Javier), Arteciopelados ( hermosa Solange semi-colombiana ), Calamaro, Fito Paez, Orishas, Estopa, Manu Chao, flamencos, tangos, guarânias... ( por minhas curiosidades ). Borges, Isabell Allende, Neruda, Reynado Arenas,
Octavio Paz. Tudo em espanhol.O falar possibilitou-me errar, aprender, reaprender, domesticar a língua. Vivenciar o idioma é essencial. Estudar a gramática culta passou então a ser o objetivo. Já vivenciava o vocabulário, a leitura, a fala, e me dediquei à escrita. Cartas e cartas. Correspondências com meus amigos da internet, com minha família. Gosto e deleite. Cada vez que estudava o espanhol, mais aprendia o português! Importante é saber o funcionamento gramatical de nossa língua mãe para o aprendizado da segunda língua.
Al fin y al cabo, o interesse pelo idioma é incentivado pelo meu interesse em saber quem sou, quem faz parte do time de meu código genético. Talvez estudar o espanhol tenha me motivado a descobrir aquilo de que gosto; fez reconhecer-me a mim, a minha família, a América Latina.
viernes, marzo 02, 2007
Sabores
Cenouras brandas, a fuego lento, com manteiga e caldo sabroso de legumes, pura terra-mãe. Todos aglutinados, quebrada a solidez, volviendose jugoso. Zumo de laranja. A fuego lento. Cítrico forte mesclado ao creme de leite. Por cima, plantas de Zeus ou Saturno. Contraste colorido que apetece.
União dos seres marinhos. Vinho para acompanhar.
Suculência arenosa da fruta e vanilla diluída. Olor úmido mascavo. Color dourado texturizado, matizado por semillas de papoula.
Algodón.
Seda.
Proteínas, Sais minerais. Faz bem à pele.
martes, febrero 27, 2007
Música from Argentina Brasil

Fui ao auditório do Ibirapuera ver a Orquestra Típica Fernández Fierro, da Argentina, mais a Orquestra Popular de Câmara, Brasil. Sem falar do espaço, que é acusticamente divino, ademais de ótima visibilidade, o espetáculo foi sensacional. Os percussionistas brasileiros fizeram obras primas no palco e um deles me fez lembrar o Calder e seus móbiles. Os instrumentos balangandavam, se suspendiam, de repente, faziam sons tão harmonicamente mesclado com os violinos, com o piano; o movimento dos músicos era pleno de alegria com a seriedade daquele que lia a partitura e o riso de Lula Alencar do acordeão brilhante.
Em seguida, escuridão. Eu estava perto do palco e pude ver a organização dos músicos argentinos que adentravam, se organizavam...se escutava o delicioso acento porteño. Anciava escutar esse tango orquestrado, essa equipe de jovens músicos, cabeludos, tatuados, rastafaris e seus piercings. Além claro, dos violinos, piano, violaocelo, bandoneon. Foi visceral.
A orquestra é formada por 12 músicos e tem um espaço próprio onde tocam todas as quartas-feiras no “El CAFF”. Logicamente quero conhecer o lugar na minha próxima visita à Argentina. São excelentes, têm presença de palco, são teatrais. O “Chino”, o cantor, é um personaje, como diz minha mais recente amiga argentina, Mercedes. Eles são estilosos, com figurino descontraído, cabelos larguíssimos, guapíssimos. Quando tocaram a primeira música, fiquei em transe. O som dos 4 bandoneones, a força dos violinos, à batida do tango. Interpretaram Piazzola, tangos tradicionais adaptados com uma linguagem moderna, no corpo, na alma. A iluminação criou aquele ambiente dramático, do amor rasgado e partido; luz intensa por baixo do piano quebrava a escuridão do palco. Logo, as luzes vermelhas que tingiam os músicos que ladeavam suas cabeças, de um lado a outro.
Tive a certeza de minha volta à Argentina. Escutá-los me despertou o desejo de viajar, de conhecer lugares e gente interessante; me aflorou a audácia, o destemor. (RE)Vitalidade. Os primeiros aplausos, explosivos. Na minha frente sentavam duas senhoras que nos intervalos de cada música cochichavam avidamente. Quando o Chino anunciou que a próxima seria a última a ser tocada, elas se manisfestaram com alívio “Como pode ser? Vim ver uma orquestra e me aparece um monte de cabeludo, tatuado, bla bla bla, vim ver tango, blá blá blá”. Hahahahha, hahahahaha, hahahahah. Elas saíram correndo. Me reí mucho, che! ºº
miércoles, febrero 14, 2007
Na Minha Terra

º
ººLira dos Vinte Anos - Ateliê Editorial
Capa e frontispício: Luciana Rochaºº
º
Gosto muito do início de "Na Minha Terra" do poeta Álvares de Azevedo. Teve inspiração na natureza, das coisas mais singelas (os cheiro das flores, os sons da viola) às mais taciturnas (noite sussurrante, véu da escuridão).
miércoles, enero 24, 2007
no hospital, amor e humor
miércoles, diciembre 27, 2006
jueves, diciembre 21, 2006
Aimee Mann - SAVE ME
You look like... a perfect fit,For a girl in need... of a tourniquette.
But can you save me?Come on and save me...If you could save me,
From the ranks of the freaks,Who suspect they could never love anyone.
'Cause I can tell... you know what it's like.
A long farewell... of the hunger strike.
But can you save me?Come on and save me...If you could save me,
From the ranks of the freaks,Who suspect they could never love anyone.
It struck me down, a gradient
Like Peter Pan, or Superman,You have come... to save me.
Come on and save me...If you could save me,
From the ranks of the freaks,
Who suspect they could never love anyone,
Except the freaks,
Who suspect they could never love anyone,But the freaks,
Who suspect they could never love anyone.
Come on and save me...Why don't you save me?If you could save me,
From the ranks of the freaks,
Who suspect they could never love anyone,
Except the freaks,Who suspect they could never love anyone,
Except the freaks,Who could never love anyone.
miércoles, diciembre 13, 2006
sábado, diciembre 09, 2006
artigo, site GUIA LATINO
Especial
Arte Latina na 27ª Bienal de Artes
Por Luciana Rocha
“Hacer el reflejo de la Luna con un pedazo circular de cartón plateado en una noche sin Luna” me parece uma boa idéia da artista Narda Alvarado em seu trabalho “Bom, Regular, Ruim” (2005) que reúne idéias hipotéticas, sem necessariamente realizá-las. E repleta de boas idéias, de bons argumentos e boas contestações está a presença latino-americana na 27ª Bienal de Artes, em São Paulo.
A convite da mostra, dentre muitos, dez artistas internacionais viveram no Brasil por volta de 1 a 3 meses para o seu fazer artístico ligado ao tema da Bienal “como viver junto”. Minerva Cuevas, mexicana, Alberto Baraya, colombiano, estiveram respectivamente em São Paulo e no Acre. Das flores de plástico num herbário, das marcas e logos estilizados, desarmonicamente unidos, ambos artistas trazem o olhar que recria, que é inventivo e cosmopolita. Minerva Cuevas faz sua obra tendo como referência marcas, que trazem imagem ou conceito. Enquanto realizava a pintura de um avião da Varig se espatifando no chão, o da Gol a pouco sofria uma perda... (pré)visão de artista. A obra tem uma linguagem que se assemelha ao tipo de pintura rupestre e pela estética também lembra a arte pop, que não deixa de trabalhar questões ligadas à reprodução, à massificação. Baraya, reproduzindo uma gigante seringueira em látex, dialoga com Helio Melo, brasileiro, artista autodidata que pinta o cotidiano dos trabalhadores na extração de látex no Acre. O traço, que lembra Chagall, causa graça com seu literalismo e a experiência de quem vive esse cotidiano.
Presença indispensável é a de Leon Ferrari. Obras fortes como releituras de pinturas de Bosch ou representações de ossos suspensos, tendo um cubo vazado como limite. Parte de esqueletos, crânios parecem jazidos em grande cova scaneada pelos olhos do argentino. Mario Navarro, chileno, faz uma obra em que o protagonista é o carro Opala, cuja marca virou metáfora de opressão no regime ditatorial de Pinochet, no Chile. O carro era usado por agentes secretos do governo e por algum tempo ficou estigmatizado.
“Como viver junto”, se não houvesse fronteira para a justiça, para o respeito. Já há tantos limites para as culturas, para as relações... O olhar que sobrevoa as terras grises das cidades, o verdejante do que resta das matas sul-americanas, não vê as fronteiras políticas. São vistas, por satélites, aberturas feitas nas florestas amazônicas pela extração de matérias-primas... Raimond Chavez, colombiano, e Gilda Mantilla, peruana, mostram fronteiras fluidas, trás viajar de Lima a limites brasileiros, desenham o que encontram pela frente, mapeando culturas em “Dibujando B”. A obra de Chavez, “El Toque Criollo” (2006) revive antigas capas de LPs que expõem a cultura, o sócio-político da América Latina. Damián Ortega, mexicano, apresenta suas estruturas que carregam duras narrativas, feitas especialmente para essa Bienal. Juan Araujo, venezuelano, apropria-se de imagens tantas vezes vistas pelos olhares dos transeuntes: “Casa de Vidro” (2006), pintando imagens da obra arquitetônica de Lina Bo Bardi, resconstruindo um olhar.
A leitura das obras na Bienal pode ser vasta. Numa sala, lâmpadas acesas, correm o chão, a parede. Minimalismo.O que há além? A arte contemporânea nos faz criar um discurso a partir também de nossas experiências de vida. No outro lado da sala: folhas em branco. Obra sem título. O visitante é convidado a levar uma folha. Em branco. Que leitura podemos fazer dessa obra em conjunto? Felix Gonzalez -Torres, cubano, nos convida à interpretação. Héctor Zamorra, mexicano, apresenta estruturas que parecem se multiplicar, rápida metástase urbana em seu “Geometrias Daninhas” (2006). Isso lembra alguma coisa? Como viver junto à tanta indiferença e exclusão? A pergunta produz muitas respostas que podem não ser escutadas.
Arte promove a discussão, e a presença latina nessa Bienal é forte e fala daquele que não tem a voz, ou tem a voz sufocada por uma obscena realidade. Ao caminhar pelo segundo andar da Bienal, onde mais forte está a presença latina, ouve-se as conversas, o bulício das escolas, dos visitantes. Essa agitação logo se dissipa quando se entra na sala em que está a obra de Maria Galindo, boliviana.Seu trabalho traz a questão dos segregados indígenas e mulheres.Cria um diálogo entre fotos do arquivo de Julio Cordeiro, fotógrafo ativo na Bolívia durante a 1ª metade do século XX, e reproduções de cartas polêmicas, que são escritas nas fúnebres paredes. As obras expostas convidam o visitante a criar, a criticar e conhecer um pouco mais da cultura mundial por meio da arte.
Serviço27ª Bienal De São Paulo “Como Viver Junto”Até 17 de dezembro de 2006Parque Ibirapuera, portão 03
ENTRADA FRANCA
Terça a sexta das 9h às 21h, Sábados, Domingos e Feriados, 10h às 22h Bilheteria fecha uma hora antes.





